queria viver minha vida cantando
e escrevendo
e desenhando
mas não sei como comeria
fazendo somente isso
e sem comer eu morreria
e não poderia mais cantar
nem escrever
ou desenhar
é tão simples, não é?
e tão difícil
é uma equação matemática
meu sonho é uma questão matemática
e eu sempre fui péssima aluna
em matemática
aí eu sinto frio
e escrevo poesias para me esquecer
e aquecer minh´alma tão fria
que não sabe viver
e não quer morrer
e não sabe como resolver
problema tão simples
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
aleluia
não quero o azul
abro os olhos
quero ver tudo
todos os contornos
(quero todas as cores da cartela)
Que dobrem os sinos da catedral anunciando a boa nova.
abro os olhos
quero ver tudo
todos os contornos
(quero todas as cores da cartela)
Que dobrem os sinos da catedral anunciando a boa nova.
determinadas coisas
agora, eu sou uma criatura em desfragmentação. Sou tão rasa quanto o horizonte diante de meus olhos.
- se tivesse sido sempre assim.
antes, eu queria conter o segredo da criação. Eu queria tudo. Ardorosamente. Eu queria ser a contadora da História. E me enfadava por não ser compreendida.
- nós nos encantamos com o saber. Despercebemos o prá quê.
- se tivesse sido sempre assim.
antes, eu queria conter o segredo da criação. Eu queria tudo. Ardorosamente. Eu queria ser a contadora da História. E me enfadava por não ser compreendida.
- nós nos encantamos com o saber. Despercebemos o prá quê.
de cabo a rabo
n´algum dia que virá
serei tudo o que pensei
sem medo, sem culpa
uma pessoa assim
de cabo a rabo
serei tudo o que pensei
sem medo, sem culpa
uma pessoa assim
de cabo a rabo
muito e bastante
Ela pensa: não quero nada. O que tinha a dizer, já disse. Já berrei aos quatro ventos. Já chorei rios. Ah, eu já chorei muito e berrei feito bezerro desgarrado. O que foi, foi. O que será, a deus pertence. Não sei de nada. Não tenho pertence. Já pedi. Já fiz. Já refiz. Agora, é com deus-pai. E que deus tenha ouvido, sentido, que eu tenha berrado o bastante.
Ela diz: berrei sim. Muito e bastante. Tanto que, sei lá, sosseguei. Se a deus pertence, é com ele. Na hora dele. Do jeito dele. Quanto a mim, entendi que o jeito é continuar. Chupando o dedo que é a teta que mereço. A vida é mais sabida que eu.
Ela diz: berrei sim. Muito e bastante. Tanto que, sei lá, sosseguei. Se a deus pertence, é com ele. Na hora dele. Do jeito dele. Quanto a mim, entendi que o jeito é continuar. Chupando o dedo que é a teta que mereço. A vida é mais sabida que eu.
do tempo que não pára vol.3
é tão bom lembrar de tempos
quando o tempo fazia sentido
é bom lembrar de sonhos
que se realizavam no sonhar
quando tudo era possível
e todos sonhavam juntos
e o sonho de todos espargia no tempo
e o tempo trazia de volta o sonho
aí, o sonho se revoltou
desfigurou o tempo
abandonou a todos nós
que só queríamos sonhar
por esses tempos
quando o tempo fazia sentido
é bom lembrar de sonhos
que se realizavam no sonhar
quando tudo era possível
e todos sonhavam juntos
e o sonho de todos espargia no tempo
e o tempo trazia de volta o sonho
aí, o sonho se revoltou
desfigurou o tempo
abandonou a todos nós
que só queríamos sonhar
por esses tempos
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