"era uma noite escura e úmida, de nuvens pesadas e vento parado. Só o ar gelado e denso, o cheiro acre de maresia. As ondas lá embaixo tinham o som do silêncio. Incorpóreo e íntimo. Manteve guardado na memória esse não-som durante os anos de exílio. Por isso foi necessário voltar.
quando partiu, uma espécie de morte lhe roubou os sentidos. Na época, tinha o vago entendimento da urgência de um mundo fora de ordem, do medo que havia se instalado na casa. A mesma onde agora vagava pelos cômodos, buscando a história interrompida.
estava quase tudo como antes. Quase tudo. O lapso de tempo imprimiu sua marca, mais determinante do que qualquer resgate possível."
sexta-feira, 11 de junho de 2010
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